Nunca digam que os cientistas têm medo de sujar as mãos. Seja caminhando com água até os joelhos na lama ou mergulhando até a cintura em águas turvas, tudo faz parte do trabalho diário da dedicada equipe de cientistas do projeto PROBRAL. Reunindo pesquisadores da Alemanha e do Brasil (Constructor University Bremen, GEOMAR, Universidade de Oldenburg, Universidade Federal do Pará e Universidade Estadual do Norte Fluminense), eles se uniram este mês para analisar a água de manguezais, rios e estuários no norte do Brasil.
Fazendo química juntos
Metais como cobre e ferro estão naturalmente presentes nos oceanos, rios e estuários e podem atuar tanto como nutrientes quanto como toxinas para os organismos vivos. O comportamento desses metais é influenciado pelo tamanho (por exemplo, partículas grandes ou dissolvidas) e por outros componentes da química da água, como salinidade, pH (quão ácida é a água) e a presença de matéria orgânica dissolvida. Rios e estuários frequentemente são ricos em matéria orgânica (à base de carbono) proveniente de plantas e solo. A matéria orgânica dissolvida frequentemente se liga a íons metálicos (quando isso acontece, é chamado de “ligante”), e isso poderia influenciar sua biodisponibilidade (como eles são absorvidos pelos organismos vivos).
Nós amamos os manguezais
Os manguezais são uma rica fonte de matéria orgânica dissolvida,nutrientes e alguns metais. A equipe coletou água intersticial (água que se acumula no solo nos pequenos espaços entre as partículas) em manguezais degradados e saudáveis. Coletamos amostras cavando buracos e recolhendo a água que os preenchia. Mesmo na maré baixa, tivemos que atravessar lama pesada, muitas vezes afundando até os joelhos. Vimos muitos caranguejos pequenos, pássaros e até um macaco!
Também visitamos diversos riachos e rios, especialmente o rio Caeté, que atravessa Bragança e o norte do Brasil, no estado do Pará. O Caeté é influenciado por marés diárias (duas vezes ao dia), resultando em salinidade que muda ao longo do dia nas regiões próximas à costa. Fizemos coletas em vários pontos ao longo de todo o gradiente de salinidade, desde as águas costeiras (salinidade 35, como a água do mar), até águas estuarinas salobras e águas doces fluviais (salinidade 0). Realizamos as coletas de barco na Baía do Caeté e em terra nos rios e riachos do interior.
Contribuindo para o M206
The PROBRAL campaign will generate lots of great data that will contribute to the M206 cruise, also examining trace metals and organic matter in the Amazon and Pará River estuary, as well as near coastal mangroves to the south-east.







